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4D PAULO AZEVEDO
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Filosofia & Metodologia

Gramáticas Políticas

As estruturas que potencializam o CORPO e a PALAVRA no processo artístico e emancipatório.

O Baú das Possibilidades

O Baú das Possibilidades

Há quem diga que dar um presente para Paulo é uma das coisas mas sem graça e ao mesmo tempo econômica que se possa imaginar. Os mais chegados afirmam que basta entrar numa papelaria e lá estarão todos os elementos disponíveis para suas composições.

PapelCadernetasLápisCanetasBorrachaFita CrepeEnvelopeBarbanteGizBalõesArgilaCadeirasCamisasPregadoresCordas de varal

O lugar da papelaria traduz a relação com o brincante, a volta às aulas e a possibilidade de haver ali os materiais que se ressignificam enquanto semiótica durante as distintas formas de manuseio.

Corpo & Palavra

CORPO

A primeira estrutura que potencializa os materiais

PALAVRA

A segunda estrutura que traduz e emite mensagens

Aos elementos, Paulo os denomina como "semânticas", às estruturas de "gramáticas". É desse caldeirão que nascem as referências conceituais e também tácitas de uma expressão política para este repertório estético, pedagógico e comunicacional.

O Baú da Infância

O Baú da Infância

Tendo como uma de suas principais referências o poeta Manoel de Barros e seu "baú da infância", Paulo corrobora de uma prática que ratifica tal "baú" como o espaço maior para o desenvolvimento do 'criativo' e explicitude das sensações.

"Educar em catequese" uma criança para reproduzir a ideia de que uma cadeira serve apenas para sentar é condená-la à pequenez da virtude desse objeto enquanto execução passiva de única e mísera função.

O que há de tão especial numa cadeira quando reobservada fora da sua função ordinária em servir ao descanso das nádegas?
Qual seria então a função da arte se pensada a partir de uma perspectiva do ofício do arteiro?
A Transgressão Criativa

A Transgressão Criativa

Repara-se no entanto que a criança incomodada com esta singular hipótese, deliberada ao ato de transgredir a primeira aparência, pondo-a de ponta-cabeça, transforma-lhe agora numa garagem para seus carrinhos ou uma incrível casa de bonecas. Ali, de modo orgânico, espontâneo e sem ousar a moral como princípio moralizante dos sentidos da ordem vigente, está dando outro significado ao objeto.

Nasce a voz das coisas.

O Ofício do Arteiro

Essa passagem "deformatória" é pensada por Paulo como o nascimento do ofício do "arteiro". Ou seja, quando se diz que uma criança está fazendo "arte", a grosso modo "bagunça", entenda-se que a mesma nesse instante descumpre o argumento inicial da função do objeto e o apresenta ao estado borbulhante do caos.

Manifestação Estética do Ludismo

É a festa infestada de possiblidades de desrespeito à razão que o estado de infância pode propiciar — a orgia dos brinquedos não enfermos.

Princípio do Objeto Estético

Ali está a aura do processo artístico numa elucidação benjaminiana.

O Ato Político

O ATO POLÍTICO

Esse rito de passagem é o prelúdio do ato político do ser 'criança' que grita ao seu espaço social lhe contestando a ordem hegemônica do adestramento ou ingresso precoce deste ser ao mundo civilizatório ditante, onde ['cadeira é pra sentar'].

A criança refuta-lhes e lhes requer outra possibilidade de imaginar a elaboração de
outros mundos possíveis.