O Baú das Possibilidades
O Baú das Possibilidades
Há quem diga que dar um presente para Paulo é uma das coisas mas sem graça e ao mesmo tempo econômica que se possa imaginar. Os mais chegados afirmam que basta entrar numa papelaria e lá estarão todos os elementos disponíveis para suas composições.
O lugar da papelaria traduz a relação com o brincante, a volta às aulas e a possibilidade de haver ali os materiais que se ressignificam enquanto semiótica durante as distintas formas de manuseio.
Corpo & Palavra
CORPO
A primeira estrutura que potencializa os materiais
PALAVRA
A segunda estrutura que traduz e emite mensagens
Aos elementos, Paulo os denomina como "semânticas", às estruturas de "gramáticas". É desse caldeirão que nascem as referências conceituais e também tácitas de uma expressão política para este repertório estético, pedagógico e comunicacional.
O Baú da Infância
O Baú da Infância
Tendo como uma de suas principais referências o poeta Manoel de Barros e seu "baú da infância", Paulo corrobora de uma prática que ratifica tal "baú" como o espaço maior para o desenvolvimento do 'criativo' e explicitude das sensações.
"Educar em catequese" uma criança para reproduzir a ideia de que uma cadeira serve apenas para sentar é condená-la à pequenez da virtude desse objeto enquanto execução passiva de única e mísera função.
O que há de tão especial numa cadeira quando reobservada fora da sua função ordinária em servir ao descanso das nádegas?
Qual seria então a função da arte se pensada a partir de uma perspectiva do ofício do arteiro?
A Transgressão Criativa
A Transgressão Criativa
Repara-se no entanto que a criança incomodada com esta singular hipótese, deliberada ao ato de transgredir a primeira aparência, pondo-a de ponta-cabeça, transforma-lhe agora numa garagem para seus carrinhos ou uma incrível casa de bonecas. Ali, de modo orgânico, espontâneo e sem ousar a moral como princípio moralizante dos sentidos da ordem vigente, está dando outro significado ao objeto.
O Ofício do Arteiro
Essa passagem "deformatória" é pensada por Paulo como o nascimento do ofício do "arteiro". Ou seja, quando se diz que uma criança está fazendo "arte", a grosso modo "bagunça", entenda-se que a mesma nesse instante descumpre o argumento inicial da função do objeto e o apresenta ao estado borbulhante do caos.
Manifestação Estética do Ludismo
É a festa infestada de possiblidades de desrespeito à razão que o estado de infância pode propiciar — a orgia dos brinquedos não enfermos.
Princípio do Objeto Estético
Ali está a aura do processo artístico numa elucidação benjaminiana.
O Ato Político
O ATO POLÍTICO
Esse rito de passagem é o prelúdio do ato político do ser 'criança' que grita ao seu espaço social lhe contestando a ordem hegemônica do adestramento ou ingresso precoce deste ser ao mundo civilizatório ditante, onde ['cadeira é pra sentar'].
outros mundos possíveis.