4D PA
4D PAULO AZEVEDO
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Percurso

A trajetória completa de Paulo Emílio Machado de Azevedo — de uma vila de pescadores ao reconhecimento internacional.

01 · Origens
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Origens

Paulo Emílio Machado de Azevedo nasceu em 1° de fevereiro de mil novecentos e setenta e cinco, na cidade de Macaé, àquela época, uma vila de pescadores, situada a, aproximadamente, cento e oitenta quilômetros da capital Rio de Janeiro.

Filho do paraibano Paulo Emilio de Aguiar Azevedo, técnico em saneamento e da conterrânea professora e cozinheira Elizabeth Machado de Azevedo, Paulo é o "filho do meio" - termo que por muito tempo lhe causou incômodo, haja vista a falta de identidade que denota o mesmo.

02 · Infância
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Infância

Durante a segunda infância, passa a receber a alcunha de "Xande" ou "Chande", por conta de ser confundido com a aparência e o comportamento de seu vizinho. Curiosamente, mostra habilidade precoce para a escrita e é alfabetizado aos quatro anos de idade. Por outro lado, aparenta discrepância em habilidades que usavam o desenho e o manuseio das cores, chamando atenção dos professores para as combinações bastante atípicas.

Na escola, rapidamente, mostrou identificação com os esportes, sendo o futebol a sua primeira opção. Com DNA de uma família de goleiros, Paulo manteve a tradição e recebeu louros por defender a equipe do Instituto Nossa Senhora da Glória, o Castelo, em importantes competições.

03 · Adolescência
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Adolescência

No inicio da adolescência, apesar de já ter sido salvo no mar, passou a se interessar pelo poder das ondas. Foi assim que, afoitamente, começou sua prática com o Bodyboarding e logo no seu primeiro campeonato sofreu um segundo caso de afogamento. Dessa vez, induzido por outro participante do torneio, bem mais velho que ele (pois não havia ainda a divisão por faixa etária). É considerada antológica tal ocasião, na qual se conta que sua mãe ergueu sozinha um pedaço de tronco para surrar aquele que havia cometido tal covardia com o filho.

Foi nesse ínterim que Paulo, além do viés atleta que lhe sedimentou uma subjetividade disciplinar rígida, age pela primeira vez no papel de professor e funda junto ao seu amigo Gustavo Gracia a primeira escolinha de Bodyboarding do Estado do Rio de Janeiro. A partir dos 14 anos, passa então a organizar seu tempo conciliando os estudos, as tarefas de casa, a família e o esporte, acrescendo a este último ítem a tarefa de educador. Em uma de suas participações no campeonato estadual, Paulo apresentou dificuldade em saber com precisão a cor da camiseta que deveria vestir antes de entrar na água. Só então em 1990, depois de passar por uma série de situações constrangedoras, é, finalmente, atestado seu daltonismo.

04 · Entre Bailes e Culturas
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Entre Bailes e Culturas

Em paralelo a este período, é notório citar que diferentemente dos seus colegas, Paulo ia aos bailes e discotecas para dançar. A ele interessava mais os passos, as vestes, os penteados, as diferentes estéticas e movimentos do que, necessariamente, o clima de paqueras nesses lugares. E foi assim que ele conheceu no mesmo quarteirão da Praça Veríssimo de Melo dois ambientes de naturezas estanques, separados por apenas 50 metros de distância, porém ressaltados por muros sociais rígidos nos seus respectivos territórios. Paulo ousou habita-los no mesmo instante e, não seria mera coincidência afirmar que parte do que atualmente origina sua forma de compor vem desse hibridismo que ele entendeu enquanto camadas e não como hiatos culturais.

Em uma parte da calçada havia o Tênis Clube que cultuava a musica Rock de origem inglesa e australiana que fazia jus ao rider "surf music". E na mesma calçada, bem ao lado, o Fluminense F.C. que resplandecia o "estilo de vida" da Black music, com pitadas do underground norte-americano do Funk e toda uma diáspora que transbordava nas modas e nos comportamentos de seus frequentadores. Paulo entrava no Tênis com uma roupa e por debaixo da mesma retirava o casaco e ia pro outro baile escondido de sua mãe. Depois na hora marcada com ela, voltava ao Tênis Clube. Aqui já é possível identificar que Paulo representa uma travessia que nunca chega, mas se sabe bem de onde ele partiu.

05 · A Vontade de Ir
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A Vontade de Ir

De fato, para quem bem o conhece sabe que ele respeita as raízes, mas pro único sentido que adota na vida não há a ideia de retorno - somente ir, ir e ir. Sobre tal contenda, é bastante conhecido o dia em que ele pela primeira vez é permitido pelo seu pai andar de ônibus desacompanhado e, que ao contrário da direção da escola pede carona na estrada. A mãe sabedora de suas peripécias o segue de carro e, ao ve-lo entrar num caminhão acelera, desesperadamente, fechando ambas as pistas da estrada.

Após retirar o pré-adolescente em segurança, e outrora já em casa, ela então lhe pergunta para onde ele iria. Se, por acaso, ele havia se perdido por ser a primeira vez que tomaria o ônibus sozinho. Paulo, eternamente para sua mãe, o "Chande" (com Ch), no entanto, sem titubear lhe responde: "não mãe, fica tranquila, eu sabia o caminho da escola, mas eu só queria ir embora mesmo". Ele e seus irmãos testemunharam muitas brigas violentas entre seus pais.

06 · Formação Acadêmica
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Formação Acadêmica

Assim como foi precoce sua alfabetização, a conclusão do ensino médio se deu aos 16 anos de idade. E aos dezessete, Paulo Emilio ingressou na Faculdade de Educação Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Lá se manteve sendo um estudante exemplar, focado ainda no trinômio "esporte, família e estudo". Em 1994, conheceu o coreógrafo Márcio Yo que o convida para se apresentar numa Mostra de Artes. Paulo rejeita o convite pelo pouco tempo que teria para se preparar, mas tal estímulo foi o suficiente para lhe alarmar a vontade de fazer algo em sua cidade. Volta para Macaé e funda o Grupo Beat Street, alento ao nome do filme homônimo de "Breakdance".

Em 17 de agosto de 1995, ele destaca a data como sendo aquela em que para ele se funda a ideia de marco lógico de sua carreira, uma vez que ali teve o insight do que faria pelo resto da vida, ao observar o reflexo de sua imagem na garagem de casa numa janela em mosaico. No ano seguinte, Paulo Emílio se gradua em Licenciatura Plena e reafirma seu ofício de professor, mas dessa vez certificado.

07 · Superação
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Superação

Apesar de sua carreira estar indo de vento em popa, Paulo sofre grave acidente em 09 de agosto em 1997 que o deixa em recuperação por dois longos anos até voltar a andar de modo sistemático. Além das sequelas em sua perna esquerda, com o agravante de uma síndrome pós-trombótica venosa profunda, ele desafia a sua recuperação e tenta voltar a ser atleta, correndo uma segunda São Silvestre em dezembro de 1999.

Apesar de concluir a prova, frustra-se ao compreender que a idealização em ser atleta de alto nível havia chegada ao fim e que então injetaria sua energia e criatividade na direção das artes. Nascia Paulo Azevedo e ficava para trás o surfista "Xande".

08 · Escola de Dança e Companhias
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Escola de Dança e Companhias

Alterada a rota dos sesus desejos, nesse mesmo ano ele funda junto às dependências do Centro de Vida Independente de Macaé (cvi-Macaé), a Escola Dança de Rua com sua assinatura. Tal projeto ganha adesão ampla na sociedade local, passando a se tornar uma proposta que inspira políticas publicas para a juventude na cidade. Paulo em menos de dez anos, passa a ser uma referência educacional, social, cultural, artistica e política no município. Em seguida, no Estado, no Brasil, na Europa e, depois, em países africanos.

Ainda em 1999, funda as companhias DI e Membros, as quais vão encerrar seus respectivos ciclos no ano de 2011, tendo escrita cada uma delas uma página significativa na forma de produção de linguagens e reflexões a cerca do corpo. Em 2000, lança seu primeiro livro, abrindo horizonte na dimensão pedagógica da relação entre o corpo e a palavra com "Dança de Rua contando histórias". Em 2002, com o mercado que ele profissionaliza capacitando uma série de novos arte-educadores para trabalharem com a dança na cidade, publica "A descoberta de talentos nas escolas municipais de Macaé: GREM". Desse projeto, uma quantidade significativa de adolescentes construíram uma carreira através da arte.

09 · Mestrado e Pesquisa
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Mestrado e Pesquisa

Em 2003, Paulo é aprovado no Mestrado em Políticas Sociais para a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). Começa ali uma novo caminho de pesquisas e aprofundamento dos seus feitos. Em contato com o professor e historiador Marcelo Gantos reorganiza sua práxis acadêmica e passa a atuar diretamente com o publico privado de liberdade, mais, especificamente, com adolescentes que cumprem medidas socioeducativas por terem cometido algum ato infracional.

Paulo investiga as relações de "habitus" entre a cultura Hip Hop e os signos de identificação cultural com os adolescentes e escreve uma dissertação atingindo nota máxima da banca. A mesma é adaptada para mais um livro, publicando em 2008 "Meninos que não criam permanecem no C.R.I.A.M", sendo seu primeiro titulo bilíngue até então e logo em seguida, lançado o mesmo na programação do ano da França no Brasil, em 2009.

10 · Carreira Internacional
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Carreira Internacional

Com o avanço da pesquisa e também da parte criativa, em 2004, Paulo embarca para o Velho Continente com a Cia Membros e passa a vivenciar um roteiro que cortaria o mundo em aproximadamente trinta países. Ao mesmo tempo faz com que a companhia DI construa uma proposta única de linguagem sobre a questão dos corpos com deficiências e, recebe na edição de 2006/2008 o prêmio Rumos Educação, Cultura e Arte pelo Instituito Itaú Cultural, sendo na ocasião o único educador do Estado do Rio de Janeiro a obtê-lo.

Paulo Azevedo, ano a ano, passa a inscrever definitivamente o nome de Macaé no cenário mundial das Artes e é convidado a Olslo, na Noruega para representar o Brasil no Encontro "Centro e Periferia: a produção de dança contemporânea no mundo". Paulo em sua explanação é ovacionado por mais de sete muitos, cujo conteúdo versava sobre a concepção metodológica em haver posto a perspectiva da técnica de ponta-cabeça, afirmando que seu trabalho era pensado para se produzir uma dança para cada corpo e não o contrário. Ali inaugurava a base do que a frente escreveria como as origens do protagonismo em sua tese de Doutorado.

Em 2007, nasce seu filho Hiago. O criador a este momento sendo considerado na Europa como um dos maiores expoentes do seu tempo pede uma pausa para vivenciar a paternidade. Todavia, não lhe foi possível tal reserva como gostaria e essa parte será melhor compreendida na sequência dos demais tópicos.

11 · Espetáculos Marcantes
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Espetáculos Marcantes

Nos três próximos anos, além de haver representado o Brasil no Prêmio Nobel dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (WCPRC) na Suécia, três estreias marcam a carreira de Paulo: "Febre" (2007); "Corpo Aberto" (2008) e "Pseudópodos" (2009). O primeiro deles com a Membros é considerado um dos espetáculos mais belos e polêmicos na França, sendo sugerido pela alta cúpula a abrir a reunião do G8 na época. Já "Corpo Aberto", pesquisa cênica entre o Brasil e o Benin, recebe o prêmio Klauss Vianna e faz circulação nacional, além de apresentações no exterior.

Por fim, "Pseudopodos" faz com que a DI inaugure a presença de pessoas com deficiência em cena no Festival Brasil Move Berlim, na Alemanha. Rompendo com a perspectiva inclusiva, a obra remodela as relações entre estética e limitação, abrindo portas para que outras companhia pudessem apresentar seus processos nas edições seguintes do mesmo festival.

12 · Doutorado e Cia Gente
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Doutorado e Cia Gente

Em 2011, dá-se fim ao primeiro ciclo - a "Queda". E em 2012, Paulo decide refletir todo esse processo sendo aprovado pela PUC-Rio para seu processo de Doutoramento em Antropologia do Corpo. No mesmo ano funda a Cia Gente e inicia um novo ciclo na cidade do Rio de Janeiro. A página em Macaé é virada e suas sementes espalhadas em cada esquina e comunidades.

Adotando outra forma de gestão dos seus projetos e na relação com seus interlocutores, Paulo adota a rua como seu escritório. Cria dois grandes projetos nestes próximos anos: "Tetralogia Cidade" (2012) e "Tagarela" (2013). Já no ano de 2014 reencontra parte do elenco da DI e é galardado pelo prêmio "Nada sobre nós sem nós" para escrever a história desse grupo. Decide junto à publicação de seu novo livro "Notas sobre outros corpos possíveis" remontar trechos de três coreografias que havia criado para a DI e assim traz para a cena "Elementos disponíveis para outras composições".

13 · Estética do Desequilíbrio
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Estética do Desequilíbrio

Entre 2015 a 2020 produz muito inaugurando o novo ciclo denominado "Estética do Desequilíbrio". Deste período nasce "mÒdio" (2016); "brUtal" (2018) e "verTigem" (2020); tendo este último adiante representado o país no Festival D'Avignon em 2023. Ao mesmo tempo, Paulo cria "Fio do Meio", uma espécie de série de performances para paisagens urbanas.

Em 2016 ganha o titulo de Doutor em Ciências Sociais e de 2017 a 2019 realiza seu Pos-Doc de volta a UENF produzindo uma cartografia da palavra sobre os núcleos de vigília cidadã (NVC) em dez territórios de petróleo no Estado do Rio de Janeiro.

14 · Ciclo Pausa
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Ciclo Pausa

Sem parar de criar e publicar Paulo chega aos vinte livros na pandemia da Covid-19 e redige uma quantidade de ideias que resulta no 3° ciclo denominado "Pausa". Neste ínterim rascunha Insights em 2019 sobre a necessidade de estancar o sistema de automatização da "correria" e escreve "Virgula" (2020), introduzindo de vez seu nome como dramaturgo no cenário nacional.

A obra inspira Paulo a conceber o projeto "Brasil sem Ponto Final" e ganha o edital do Instituto Cultural Vale percorrendo as cinco regiões brasileiras, num total de 12 capitais.

15 · Tempo Sabático
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Tempo Sabático

Paulo faz uso de breve tempo sabático no primeiro semestre de 2024 para cuidar da saúde, após conseguir perder 60 quilos e sentir o gosto da vida de atleta novamente. Supera uma segunda trombose desde 2021 e a partir de 2022 respira novos ares, passando a morar em Niteroi com seu filho, depois de um longo período enfrentando o drama das questões que envolve a guarda de filhos.

16 · Movência
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Movência

Em julho de 2024 embarca para Johanesburgo e põe em prática "tamUjUntU", proposição antropocênica entre o Brasil e a África do Sul que lança seu quatro ciclo; a "Movência".

No fim de 2024, Paulo imagina o projeto Tagarela enquanto Festival. O projeto recebe o 1° lugar junto à Secretaria de Cultuta e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro (SECEC-RJ) e tem sua abertura no dia 09 de agosto, dia do acidente de Paulo; dia em que faltou dizer também a data de fundação da Cia Gente. Na abertura, eis o concerto do coletivo Le FUCOH. Sobre ler Foucault é melhor ouvir da própria boca de Paulo essa parte da história.

17 · Essência
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Essência

Paulo é um genuíno contador de historias, que de uma vila de pescadores, atualmente a "Capital Nacional do Petróleo", tornou-se "cidadão do mundo" ou, simplesmente, "o homem do não-lugar".

Aquele que na sua simplicidade gosta de paçoca com goiabada, de cozinhar pros amigos, contemplar o sorriso do seu filho, abraçar o pôr do sol do MAC e sofrer vendo seu tricolor regado a uma taça de Malbec.

É assim que ele se reabastece de energia, sendo grato a Deus pelo comodato recebido; sabendo que a vaidade e o egoísmo são as portas de todos os males. E é assim que ele nos faz acreditar que é possível e urgente reinventar a vida. Paulo, o desobediente, o operador de utopias de Nietzsche, transformou o desastre em arte!